26 setembro 2010

Outra Manhã. - Parte 5

Sentei nos bancos individuais do balcão. Não precisei esperar muito. Depois do que me pareceram alguns segundos, o velho Luth Ray saiu por uma porta ao lado do balcão antigo e empoeirado.

Vestia sua clássica jaqueta de couro preto por cima da camiseta branca justa demais para seu corpo antigamente malhado. Os 60 anos de existência apareciam em suas rugas em volta dos olhos castanhos e do sorriso branco aonde um dos dentes da frente era de ouro.

Resultado de uma briga de bar em 78. Os cabelos perolados e compridos batiam à altura dos ombros vividos e fortes, calvície se anunciando nas entradas do cabelo. Tatuagens infindáveis lhe saiam da gola da camiseta até o pescoço.

- Veja só! Se não é o meu garoto Tony! – Disse ele em uma risada extremamente rouca. Ele era o único que podia me chamar daquela forma sem morrer logo em seguida. Aquele velho louco por cigarros e futebol era de fato o único que eu realmente respeitava no mundo.

- O mesmo de sempre?

Apenas acenei afirmativamente com a cabeça. Poucos segundos e ali estava o meu drink de gin tônica, gelado e pronto para ser apreciado. Dei uma longa golada e deixei a bebida correr por minha boca antes de engolir. Na televisão, Luis Nani acabara de marcar um gol para o Manchester United. Apenas esperei a explosão de gritos.

- Gol! Gol porra! Nani! Olha só que linda jogada do Giggs! É realmente um gênio, esse rapaz! Maldição, eu devia ter apostado aquele dinheiro com meu vizinho! O filho da puta deve estar se remoendo na cadeira puída dele! Há há há!

Eu já estava acostumado com os gritos em dias de jogos e conhecia os times e os jogadores, apesar de não gostar do esporte. Não gostava de esporte algum. A não ser o esporte que era meu trabalho. Matar era algo que me trazia adrenalina.

- Ray... Velho Ray...

- Diga filho. Há! Que belo drible do Rooney! Uuuh! Essa foi quase...

- Desligue essa porcaria um minuto que seja.

- Se não gosta pode ir embora, Tony. – Disse ele bem humorado.

O velho estava ficando abusado. Mas assim era o bom e velho Ray. Convicto e abusado.

Sorrindo terminei o drink rapidamente e pedi outro. Depois de seis drink’s e muita conversa, saí do bar ligeiramente irritado. Ainda estava completamente consciente. Queria sair de lá bêbado e feliz, pensando que todas as pessoas do mundo eram minhas amigas. Não consegui. Pior para mim.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

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