Olhei ao redor, aparentemente vazio. Mas meu feeling me dizia que tinha alguém ali. Entrei e fechei a porta, olhando com atenção. Ouvi respiração contida.
Fácil. Fácil demais. Confiança é um veneno perigoso. Mas eles eram realmente amadores. Não sabiam com quem estavam se metendo.
Abri a porta de um guarda-roupa de madeira maciça escura e me deparei com uma linda garota de olhos verdes. Assustada. Paralisada de medo.
Uma garota. A pele branca com poucas sardas exalando terror. Uma garota. Os cabelos louros e lisos colando à testa com o suor repentino. Uma garota. Lígia.
Paralisei por um instante, a pistola apontada diretamente para a testa da garota.
Ela podia ver apenas meus olhos azuis, como um mau presságio. Aproximei o dedo do gatilho. Não podia... Era apenas uma garota, provavelmente filha do contrabandista morto no quarto da frente. Ela nem devia saber que o pai era apenas um canalha.
Respirei fundo. Retomei o controle. Atirei na garota, que tombou para dentro do guarda-roupa e ali permaneceu.
Guardei as pistolas no coldre e saí da casa rapidamente.
Entrei no Opala. Mãos tremendo. Tirei o gorro, eu estava com os cabelos ensopados em suor. Tinha matado uma garota inocente que não tinha culpa alguma. Culpa. Sim, essa era a palavra que me atormentava agora. Mas eu era um matador, a destemida Morte de olhos azuis. Eu seria capaz de matar qualquer pessoa. Seria capaz de derrubar qualquer sorriso. Mas veja que ironia, estava me remoendo por uma lembrança.
- Morte... Hã?! – Indaguei a mim mesmo pegando o celular no porta luvas. Disquei o número. Uma voz masculina calma e educada me atendeu.
- Serviço feito, Morte?
- Serviço feito, Chefe.
- Que maravilha. Notou meu sarcasmo?
- Notei. Eram verdadeiros amadores.
- Realmente eram, mas Harris estava fugindo demais ao controle. Precisava de uma boa lição. O valor já foi depositado em sua conta secreta, Morte.
- Algum outro serviço?
- Eu te ligo.
Dizendo isso, ele desligou.
Liguei o motor, olhei a hora. Quase dez horas da noite. Dirigi cantando pneus e pisando no acelerador. O olhar inexpressivo.
26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.
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