26 setembro 2010

Outra Manhã. - Parte 9

Que alarmes de última geração o que! Era apenas mais um João-Ninguém que tinha dado um passo maior que a própria perna. Sorri. O humor do Chefe era incontestável. Realmente havia me trapaceado nessa. Mas o dinheiro e a adrenalina faziam valer a pena.

Abri a segunda porta e me deparei com um lindo banheiro, também de decoração vitoriana. Era realmente uma casa e tanto para um peixe pequeno.

Abrindo a terceira porta encontrei um homem de cabelos curtos e grisalhos vestindo um pijama azul bebê ridículo. Ele estava agachado ao lado da cama. Farejei medo.

As rugas da testa estavam acentuadas e sua barriga saliente embaixo do pijama parecia pulsar pela respiração rápida. Ele tinha um rosto gorducho amedrontado e olhos castanhos que queriam perfurar a parede e fugir das órbitas.

Semicerrei os olhos e encarei o contrabandista suado de pavor. Falei calmamente, a voz baixa anunciando o fim de tudo.

- Hoje é a última vez que sentirá seu coração pulsar.

Ele ergueu uma Sig Sauer prateada com a mão trêmula. Senti vontade de rir. O infeliz sequer conseguia empunha-la.

- É bom que acerte, Harris. – Sua expressão se apavorou mais ainda ao constatar que eu sabia seu nome – Mas veja, não há como me matar.

O homem não pareceu entender o que eu dizia, mas tentou escapar da forma mais digna que sua mente deturpada conseguiu imaginar.

- O-olhe... Podemos conversar. Eu s-sou rico, posso te pagar o dobro do que está recebendo. Só me diga seu nome e eu te darei o que me pedir.

O homem estava desesperado. Sem coragem para atirar, tentando se apegar a todas as formas possíveis de acordo. Seu desespero me divertiu rapidamente, mas era hora de terminar aquele trabalho ridículo.

- Meu nome? - Deixei a questão valorizar-se. Ele me olhou com expectativa.

- Costumam me chamar de Morte. – Finalizei.

Senti o desespero tomar conta do desgraçado e apontei a pistola para sua cabeça. Aquela era a assinatura. O jogo psicológico. A Morte chegando faceira, inevitável, anunciando sua presença ao réu julgado. Ele gritou. Sim, era o que eu queria. Todas as formas de desespero possíveis. Todos os níveis de agonia transparecendo seus sentidos.

Acertei o tiro na testa do homem, fazendo-o tombar com lágrimas nos olhos. Saí do quarto e me encaminhei para a última porta do corredor.

Abri e me deparei com um quarto tão rebuscado quanto o outro, porém mais agradável.


26 de Setembro de 2010. Por: Régis S. Oliveira.

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