28 outubro 2010

Basset.

Sou uma bolinha de borracha preta.
Amigo de uma bolinha de borracha branca.
Não temos utilidade ou alegria.
Mas ao menos nos resta essa pequena amizade.
Acostumamo-nos a ficar paradas, encostadas na parede.
Mas um dia ele chegou.
Este Basset sedento por sorrisos e diversão.
Conosco passou horas e mais horas.
Dias e mais dias, como uma nova amizade.
E felizes ficamos.
Ainda que seus caninos vez ou outra nos arranhassem,
Felizes estávamos.
Era bom finalmente ter alguém com quem brincar.
Porém um dia este Basset nos empurrou para longe.
Realmente longe...
E rolamos mais rápido que nunca.
Chegamos ao outro lado do quintal gigante.
E lá outras bolinhas de borracha jaziam.
O Basset veio correndo,
Mas não nos mordeu carinhosamente.

Olhou desnorteado, as outras bolinhas.
Todas tão diferentes.
Todas tão coloridas.
E lembrou-se que um dia, com elas ele brincou.
Assim latiu, animado, e correu de encontro à elas.
Todas rolaram, num mar de infinitas cores.
O Basset olhou para trás, aonde estávamos.
Mas nos deixou ali.

Correu atrás da bolinha mais brilhante.
E nós ficamos ali... Paradas...
Amargamente percebi, não éramos mais que distração.
Algo que o Basset usaria quando estivesse entediado.
Pois ele corria sempre atrás da mais brilhante.
Pensando ter verdadeiras amizades ali.
Mas ele não podia enxergar a verdade.
Quem realmente rolava por ele, éramos nós.
Nem coloridas, nem brilhantes.
Apenas nós...
A bolinha de borracha preta.
E a bolinha de borracha branca.

21 outubro 2010

Enferrujou.

Quanta solidão...
E eu sei que isso fui eu que causei.
A desilusão...
Eu tento te acalmar, mas eu não sei.

Entra aqui...
Não vou te impedir de entrar.
No meu peito...
Ouça o coração gritar.
E ouça o meu...
Tente tentar escutar.
Pranto...
Que não vai mais acabar.
Olha aqui...
Tente ao menos enxergar.
Dentro de mim...
Sinta o gelo evaporar.

E veja que estou frio,
Como o ferro de que eu julgava ser feito.
Que enferrujou...
.
.

Fresno.

19 outubro 2010

"Isso".

Pessoas como eu só precisam fingir.
Tudo que eu preciso é ser falso.
Isso prova que não sou realmente uma boa pessoa.
Mas apesar de eu estar em pedaços, ninguém se importa.
Só preciso sorrir e iludir todos à minha volta.
É minha natureza, e é melhor que seja assim.
Cabeça baixa, olhos tristes...
Este é meu sinônimo de vitória.
E quando tento sair disso, quando tento ser "feliz" eu vejo...
"A tentativa é o primeiro passo para o fracasso."
Fugir disso não vai adiantar.
Porque essa verdade sempre volta para me atingir.
E ela sempre vence...
Um sonho nunca será mais que apenas isso:
Um sonho.
Mas por mais que eu tente não vou conseguir.
Sei que vou me entregar ao impossível...
De novo e de novo e de novo.
Não sei quando me tornei o que sou.
Mas faz parte da minha derrota, e ninguém pode ajudar.
Talvez as coisas mudassem se eu desse algo em troca.
Mas eu não tenho nada a dar...
Pois não sou realmente importante.
Mas enquanto a máscara se mantiver em pé,
Eu vou suportar tudo que precisar...
Certo, gostaria que isso fosse verdade, mas não é.
Nunca é...
Afinal não há nome certo para o que me tornei.
Sou apenas "isso".