24 agosto 2016
Das Coisas Que Me Pesam Mais Que O Choro.
Eu não tenho vontade de fazer nada. Muitas vezes deixo as coisas de lado simplesmente porque nenhuma delas me faz querer ir além disso. Vou passando pelos dias sem dar muita importância e sentindo uma culpa gigantesca sobre os ombros. Eu queria ser melhor, ter pra onde ir. Eu nunca temi o cansaço do esforço, mas apenas não consigo aplicar esforço real se nada me impulsiona de verdade. Um dia, aos 18 anos mais ou menos, eu cheguei à conclusão de que meu maior talento é ser razoável em boa parte do que eu tentar. Acho que essa é maior prova de que não encontrei seja lá o que se deve ser encontrado pra evoluir. Eu tive um sonho. Somente um. Quando ele morreu acho que eu morri junto. Falo sério. E por favor, parem, isso não é só questão de olhar ao redor e "achar algo que você goste de fazer". Na minha concepção, não existe fórmula pra isso, eu já tentei seguir rumos diferentes, não é fidedigno. Tento encontrar meu valor nesse mundo, mas parece que estarei destinado a vagar, fingindo existir, convivendo com minha solidão, e sempre negando cuspir esse veneno que me enche os pulmões cada vez que me olham e aconselham, achando, pensando, supondo, mas principalmente; falando, e falando, e falando. Eu estou cansado de ser um imenso fracasso, mas sem minha própria resposta, de que adianta? Se eu - que sei mais de mim do que todos ao redor - não posso alterar minha constante, quem pode? Não pode. Ninguém pode. Parem. Suas palavras mal escritas e atravessadas só fazem enegrecer minha escuridão. Por favor, se afastem, ou eu afastarei cada um de vocês, nem que seja à força. Eu não tenho vontade de fazer nada. E estou, dia após dia, me fechando. Não posso evitar, a vista vai sumindo, a vida vai turvando. O tempo vai vencendo, meu ar está acabando...
20 julho 2016
Sobre As Coisas De Mim Para Eu Mesmo.
Pode parecer que não, mas eu me esforço. Em certas coisas eu apenas faço meu melhor. Mas parece que não é suficiente. Estou decepcionado comigo, e com um pouco de tudo. Parece que nada funciona, nada dá certo. Acho que devo ter algum problema, algum defeito tão profundo que não consigo sequer ter dimensão da raiz. Quem dera se isso desse certo. Não dá. Nunca deu. Acordado sou um sonâmbulo, dormindo sou presa de minha própria mente. Não há paz, e estou me sentindo incapaz. Estou cansado. Não sei lidar com esse fardo. Não deixo a ferida cicatrizar, sempre tenho que abrir e ver sangrar. Tenho que admitir, é tão certo quanto a existência do ar, estou perdido, não sei como (sobre)viver e acreditar.
"E não há nada ou ninguém que diga que ele é assim. Por fora tudo está tão bem, por dentro o choro não tem fim. E hoje ele está tentando implantar memórias de um passado que não é real, pra amenizar a dor de aceitar, que tudo que ele fez pra ser alguém normal, não serviu."
"E não há nada ou ninguém que diga que ele é assim. Por fora tudo está tão bem, por dentro o choro não tem fim. E hoje ele está tentando implantar memórias de um passado que não é real, pra amenizar a dor de aceitar, que tudo que ele fez pra ser alguém normal, não serviu."
Plágio De Um Dadaísta.
"Quando eu grito não faz barulho".
Li essa frase hoje, faz parte de um quadrinho nacional independente. Me fez pensar. Eu não sei dizer quantas vezes me senti impotente, ultrapassado, quebrado, como um daqueles videogames da primeira linha de produção que vão à venda com defeitos, e depois são recolhidos e substituídos. Infelizmente eu faço parte de um jogo real, e a dificuldade é justamente seguir com estes defeitos internos que faz com que cada um tenha a individualidade, o diferencial. É igual e diferente pra todos ao mesmo tempo. Confuso, não? Eu sei. Mas voltando a meu próprio ser, não posso desistir do jogo. Aliás, poder até posso, mas não haverá segunda chance se eu fizer isso, e os que me acompanham ficariam decepcionados, talvez até tristes com minha desistência. Aparentemente minha caminhada é importante pra eles, e só sei disso porque a deles é importante pra mim. Essas pontes e laços são intrigantes, mas não é algo que se precise explicar. Tudo que sei é que não quero apenas ir embora, e honestamente não posso dizer se é normal sentir-se assim na minha idade, mas ficar imerso nesse mundo é incômodo e entediante. Mas eu sigo. Não sou nada do que poderia ter sido e não tenho ideia do que posso ainda vir a ser, mas vou levando da melhor forma possível, de acordo com meus defeitos de fabricação. Acho que é bonito conseguir encontrar momentos e ações gratificantes ao redor, mesmo que aos tropeços, mesmo que sem ter uma ideia exata de como se faz isso. Eu acredito que tenho minhas qualidades, não sou um vazio completo. O que me faz cair em desesperança é notar que o vazio é grande, e que a desolação vem por meios ainda desconhecidos, de modo que não posso prever. Seria mais fácil se não fosse tão frequente, se eu não sentisse esse pesar entrar em meu corpo no ar que respiro, se não soubesse que me envenena por dentro. Cabe a mim encontrar uma maneira de decifrar os mistérios desse labirinto, marcá-lo de um jeito lógico, entender como ele funciona, e finalmente alcançar o conhecimento de como encontrar a beleza real por vontade própria. O caso é que se existe essa fórmula, até hoje eu não consegui descobrir. O caminho é tortuoso e cheio de armadilhas, sendo algumas mortais. E quando olho em volta, tudo que vejo é cinza, é névoa, é infertilidade. Sei que não se muda de um dia pro outro, mas nem eu e nem ninguém parece ter evoluído, e se eu chamo, não vejo retorno. Talvez seja por isso que eu escrevo, mas não divulgo. Falo, mas não converso. Vejo, mas não enxergo. Vivo, mas não existo. Os traumas das quedas ainda estão machucando. Caminhar é cansativo. E eu tentei e tentarei ainda mais. Mas é como li. Quando eu grito não faz barulho. Acho que esse vácuo é denso demais pra diluir. Caramba, quando eu grito não faz barulho. Pensa nisso.
Li essa frase hoje, faz parte de um quadrinho nacional independente. Me fez pensar. Eu não sei dizer quantas vezes me senti impotente, ultrapassado, quebrado, como um daqueles videogames da primeira linha de produção que vão à venda com defeitos, e depois são recolhidos e substituídos. Infelizmente eu faço parte de um jogo real, e a dificuldade é justamente seguir com estes defeitos internos que faz com que cada um tenha a individualidade, o diferencial. É igual e diferente pra todos ao mesmo tempo. Confuso, não? Eu sei. Mas voltando a meu próprio ser, não posso desistir do jogo. Aliás, poder até posso, mas não haverá segunda chance se eu fizer isso, e os que me acompanham ficariam decepcionados, talvez até tristes com minha desistência. Aparentemente minha caminhada é importante pra eles, e só sei disso porque a deles é importante pra mim. Essas pontes e laços são intrigantes, mas não é algo que se precise explicar. Tudo que sei é que não quero apenas ir embora, e honestamente não posso dizer se é normal sentir-se assim na minha idade, mas ficar imerso nesse mundo é incômodo e entediante. Mas eu sigo. Não sou nada do que poderia ter sido e não tenho ideia do que posso ainda vir a ser, mas vou levando da melhor forma possível, de acordo com meus defeitos de fabricação. Acho que é bonito conseguir encontrar momentos e ações gratificantes ao redor, mesmo que aos tropeços, mesmo que sem ter uma ideia exata de como se faz isso. Eu acredito que tenho minhas qualidades, não sou um vazio completo. O que me faz cair em desesperança é notar que o vazio é grande, e que a desolação vem por meios ainda desconhecidos, de modo que não posso prever. Seria mais fácil se não fosse tão frequente, se eu não sentisse esse pesar entrar em meu corpo no ar que respiro, se não soubesse que me envenena por dentro. Cabe a mim encontrar uma maneira de decifrar os mistérios desse labirinto, marcá-lo de um jeito lógico, entender como ele funciona, e finalmente alcançar o conhecimento de como encontrar a beleza real por vontade própria. O caso é que se existe essa fórmula, até hoje eu não consegui descobrir. O caminho é tortuoso e cheio de armadilhas, sendo algumas mortais. E quando olho em volta, tudo que vejo é cinza, é névoa, é infertilidade. Sei que não se muda de um dia pro outro, mas nem eu e nem ninguém parece ter evoluído, e se eu chamo, não vejo retorno. Talvez seja por isso que eu escrevo, mas não divulgo. Falo, mas não converso. Vejo, mas não enxergo. Vivo, mas não existo. Os traumas das quedas ainda estão machucando. Caminhar é cansativo. E eu tentei e tentarei ainda mais. Mas é como li. Quando eu grito não faz barulho. Acho que esse vácuo é denso demais pra diluir. Caramba, quando eu grito não faz barulho. Pensa nisso.
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