Não posso evitar de ter pensamentos existenciais ou percepções diferentes durante o sol poente ou a madrugada fria. Olho para o meu entorno e nada parece real. Me sinto deslocado da especificidade daquele momento ordinário, descolado sensorialmente a nível de consciência, mas meio preso fisicamente, confinado num casulo científico que limita meu entendimento de sensações. Esses são provavelmente o momentos mais aterrorizantes e lindos da minha vida como indivíduo da minha própria vida. É como correr sabendo que você não vai cansar, sabendo que não haverão cãibras, sem precisar aquecer, como praticar um esporte sem pensar em mais nada limitante porque seu limite ainda é muito distante de um vislumbre. A percepção de tudo passa a ser diferente, nada pode ser tão mágico e irreal, mas também tão esclarecedor dos cinco sentidos da realidade. E o que é na verdade a realidade? Se mesmo sabendo que posso correr fico ofegante. Quanto tempo será que eu tenho? O que estou fazendo da minha vida?
Eu não sei responder e acho que são poucas as pessoas capazes de compreender o que de fato quero dizer aqui das profundezas do meu ser. Eu fico ofegante sem correr, o coração acalera, mais um lance, mais uma jogada, um chute, uma chance, mais uma finta, outra linha, mais um freestyle de poesia, um momento pra ser tudo que eu queria. Esse piscar de olhos de confusão e expressividade pode ser o verdadeiro mundo real, quente e vermelho feito rosas sob o sol, como sangue bombeado, mas eu vivo rodeado de um lago azul tão líquido quanto congelado... tenho de lidar com os dois, vejo nisto meu legado.
15 junho 2022
Percepção da realidade.
17 maio 2022
Permitir.
Meu olhar daqui ao horizonte
Não pude perceber
Mas vou me arrepender
Nada irá mudar
Durante a minha caminhada
Eu me confundo com a própria estrada
E não vou renascer
Tampouco vou morrer
Estações vão passar
Mas mesmo entre a madrugada
Sei que há luz na lua prateada
Se eu precisar correr
Andar ou espairecer
Terei meu lugar
E até quando eu cair
Chorando eu vou sorrir
Sei que vou chegar
13 abril 2022
Barulhos estranhos no meio da noite.
Eu acho que algumas vezes eu despejo muita coisa nas pessoas à minha volta, mesmo sem querer. Mais inquietante que isso, às vezes mesmo que elas não queiram ou tenham algum tipo de prévio aviso. No fundo eu sou um cara de essência melancólica e talvez eu não lide tão bem com isso quanto já cheguei a crer.
Tenho uma sensação não tão frequente mas muito forte de que eu não deveria ser assim, e acredito no fundo que poucas pessoas entendem esse meu lado, principalmente porque não é um lado interessante de liberar e eu sinto uma certa vergonha disso. Tenho na minha cabeça que ninguém tem obrigação moral ou sentimental de me ouvir irrestritamente quando eu tenho vontade de falar, as coisas precisam de contexto e acho que é meu dever trabalhar essa ideia dentro de mim.
Não acredito que eu seja uma pessoa tão pesada ou ruim, também não acho que ninguém é tão bom assim, não é bem uma sentença que estou dando, mas talvez seja um lembrete pessoal de que eu também preciso de ajustes, e que preciso controlar meus ímpetos emocionais voláteis como todo mundo faz ou tenta fazer.
Me apaixono por outras pessoas e suas relações humanas comigo muito intensamente e lido mal com a ideia de que algumas dessas interações são e serão passageiras, me apego a elas e não quero deixá-las, quero sempre acumular cada uma delas e fico frustrado quando percebo que não posso nem tenho meios de controlar isso. Me declaro por isso, mas acho que ao próximo isso não é confortável, o que dá uma sensação honesta de embaraço, e nessas horas sinto vontade de não falar com mais ninguém que eu conheça.
Não acredito que eu tenha de ser perfeito, e agradeço sempre pelas pessoas que ainda permanecem em minha vida porque querem e não porque a rotina as obriga, é só que às vezes eu me sinto mal como todo mundo, acho que eu tenho esse direito, só preciso canalizar melhor minhas formas de externar isso, e mesmo com algum remorso acho que pensar sobre isso é um caminho.
Lidar comigo mesmo é trabalhoso, leva tempo.
Eu sou um cara emotivo.
Aos que se cansaram, eu compreendo.
Pela paciência, eu agradeço. Aos outros e a eu mesmo.