16 agosto 2010

Septuagésimo Quinto.

Passo Da Balsa.

"E agora o amanhã, cadê?
'Não tem.', diz-me o viajante cansado.
Mas pra onde ir, se não tem?
'Vai pro que é teu.', diz-me.
E ele vai indo, vai indo embora.
E eu quero segui-lo.
Mas nos mares por onde andei,
Não há mapa de salvação.
E agora longe até disso estou.
Preso na areia.
Que mal tem? Que mal tem?
'Escolhe tua sina e verá.', diz-me de longe.
Mas não sei viver.
'Então não queira amar.', diz-me.
E que farei agora?
E quando irei resolver?
'Quando não chover no molhado.', diz-me.
Mas e como secar o chão?
'Se não sabe, pára de chover.', diz-me.
Mas a chuva faz parte...
'Então já escolheu tua sina', diz-me.
E pra onde vai, viajante?
'Pro longínquo esquecer... Pro agradável lembrar.', diz-me.
E eu como fico?
Se agora não ando, como sorrir?
'É só responder a pergunta, garoto...', diz-me.
Qual delas viajante? Qual delas?
Ele sumiu... Não diz... Se foi.
Mas sei, agora sei.
E agora o amanhã, cadê?"

By - [Halos]

Nenhum comentário:

Postar um comentário