21 abril 2011

Conversa.

Outra vez vejo o querer do belo olhar agraciar a alma de minha flor, outrora silvestre e solitária. Abarquei-me nos dizeres da luz de minha amada, mas se o amor procura amor, se tão afável e gentil é tua intenção, algo faz com que os ventos soprem em caminhos sórdidos de perda e maldição.

E se dor emana da terra como o sol do casto céu mais que formoso, por que o ser deseja frases decoradas e sorrisos de falsete? Que há para tamanha insensatez entorpecer a mente e dentre curvas de imprudência nutrir de esperança o coração?

Pois meu corpo é de chumbo e choro lágrimas de sangue em cartas de juras e injúrias, mas ao cálido perfume de um beijo entrego-me, refém eterno de tua perdição. Sei agora que o sorriso, mesmo que apenas em reflexo me encanta, e jamais revogarei adoração a tua essência.

- Portanto venha, morte, sê bem vinda, e nos teus braços traz-me a sorte do fulgor.

Rebelde como o definhar de antigas forças, revolto como o mar enegrecido ao anoitecer, sei de minha sina entalhada em pedra antiga. Então venha o diabo na cor de minha eterna rosa. Prometo por minha honra servir ao teu propósito, entregar-me aos teus prazeres, e no mais tardar, inevitavelmente...

- Morrer.

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