Eu tenho esse lado turbulento dentro de mim, cheio de rachaduras e ondas gigantescas, mais escuras que o preto. Um lado adoecido, esquálido e faminto, que não sabe demonstrar amor nem conhece a felicidade que existe num suspiro de paz. Atormentado, ele vaga sem destino, correntes enferrujadas cortando a pele cheia de feridas infeccionadas e cicatrizes. Seu hálito é podre, sua pele fede, lhe faltam dentes, e só lhe são familiares a depressão, o ódio e o medo. O mais inquietante é que ele não morre, pois vez ou outra ganha forças ao se alimentar de mim. Sim, de mim. E dói. Dói muito. Sou um fugitivo miserável, um perseguidor implacável. Sou a presa e o caçador. Sou o tormento da minha existência, a carne que não me deixa morrer. Eu sou meu pesadelo vivo. Eu sou meu monstro.
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