E então, qual é a sensação? De estar a centímetros do prêmio, com os dedos esticados, e não conseguir tocá-lo, de olhar o cais e saber que são algumas braçadas de distância mas não saber nadar? Qual é a sensação de olhar por cima do ombro e sentir que sua sombra te persegue com más intenções, de ser engolido pelo chão, como a presa na boca de um lobo sanguinário, e sentir sua pele ser transpassada, arranhada e empalada por todos os espinhos desse mundo? Qual a sensação de compreender que sua cabeça é sua prisão, que seu coração é seu refém, e que você só obedece aos seus impulsos mais vis e autodestrutivos? De caminhar entre pedaços de corpos e detritos em chamas no solo infrutífero que é seu próprio resultado? Qual a sensação de ter o nome de um rei e involuntariamente ser seu próprio regicida, sorrindo com a carnificina do seu próprio corpo? De se machucar até ver sangue escorrer simplesmente porque sabe que pode fazê-lo? De ser impiedoso e cruel quando tudo que você precisa é abraçar o reflexo no espelho, mas se odiar tanto que sempre o quebra com o silêncio dos seus próprios gritos internos? De ser um monstro e tremer de medo da sua própria voz? E então, qual é a sensação?
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