24 fevereiro 2015

Skeletons.

Noites cada vez mais difíceis. Cansaço físico, mas não quero mais dormir. As coisas têm ficado fora de controle durante um certo espaço de horas, mas não é exatamente como se eu pudesse lutar contra. Minha vida está uma bagunça. Falta de dinheiro, desentendimentos, histórias mal contadas... Me sinto cercado por ciclos defeituosos dos quais eu sou apenas mais uma engrenagem obsoleta.
Durante meu tempo acordado cada dia têm sido mais frustrante que o outro, e ultimamente quase tudo parece uma perda de tempo, o que me assusta porque está chegando em um ponto nunca alcançado por mim antes. Quando durmo tenho pesadelos. Tenho pesadelos dentro de pesadelos. Não tenho paz acordado, mas se nem dormindo posso encontrá-la, o que fazer? É desesperador e patético. Sempre uma história de tentativas inúteis, infrutíferas, vazias.
Não tenho pra onde fugir. Essa casa não tem teto, eu sinto o sol queimar minha pele dolorosamente, e quando tento olhar pra cima logo volto a olhar pro chão porque as Águias estão prontas pra arrancar meus olhos. Estou sentado numa cadeira dessa casa sem teto, e aos meus pés as Serpentes começam a cantar. Eu canto com elas pra evitar que me ataquem, e depois de muito tempo consigo levantar e caminhar entre elas. É quase uma vitória. Mentira, não passa de outra derrota. Por quê? Porque ainda estou preso, e eu preciso sair daqui, preciso sair de mim. Mas os Lobos estão na minha porta, esperando que meu império caia. E um dia eu sei que ele vai cair. Até esse dia chegar só me resta tampar os buracos da minha alma com o sangue em minhas mãos.


"Os Lobos estão prontos pra te dilacerar até o osso. Mastigando e rasgando, eles não vão te deixar em paz jamais. Águias arrancando seus olhos desprotegidos... e Serpentes que começam a cantar. Elas não precisam te atacar, o veneno já está no seu coração, te matando lentamente."

23 janeiro 2015

Lesão Crônica.

Comprometimento. O tipo de coisa que implica em não estragar as coisas e resolver todos os possíveis problemas, mesmo que não sejam seus. O tipo de coisa em que na verdade nunca fui bom. É fato que finjo muito bem ser racional e estar no controle de minha própria mente e sentimentos na maioria das vezes, mas não é real. Não vai acontecer, visto que as circunstâncias apontam exatamente pro mais longe possível de mim, e eu sei disso. Por outro lado, tem ela, a única que está parada no mesmo lugar há quase 7 anos. Ou mais. É irônico. Não vai acontecer. Existem impedimentos demais que não posso suplantar somente com um "Vai ficar tudo bem". Ainda há muito tempo pra passar. Nesse ponto posso dizer que sou mais experiente. Farei meu papel dignamente. Tantas noites perdidas com dilemas e monólogos, ou com pesadelos e pensamentos ruins. Sou novo demais pra isso ao passo que sou velho demais também. Seria cômico se não fosse trágico. Acho que não estou realmente conectado a mais ninguém nesse sentido, não desde aquela última página virada. Foi um ponto final, e por enquanto eu ainda estou segurando a caneta no ar, esperando a inspiração pra uma frase nova. Algo que me complete. Uma frase bela e excitante, marcante e singela, o tipo de frase que não vai precisar de outra em sua frente pra fazer sentido. É como se a inspiração fosse sugada lentamente por minhas impressões digitais, marcando tudo que toco com o passado. Por mais que eu lave minhas mãos continuo manchando cada pedaço dos cérebros e corações alheios com impressões desbotadas do meu passado infértil. Parece que sou um tipo de desastre com vida. Pior pra vocês.

22 janeiro 2015

Minha Mais Bela Mentira.

Era inegável que ela fosse encantadora em todos os aspectos, era inegável que cada riso, cada olhar, até mesmo cada respiração dela fossem um tipo de alívio ao caos que cada um tem dentro de si. O modo como seu cabelo podia dizer tanto sobre sua personalidade, e o jeito que cada gesto podia ser confundido com a melodia de uma música preferida... Tudo aquilo era raro, belo, confortável. Ela é a descrição da beleza em sua própria maneira, não um padrão, mas sim a leveza e individualidade quase teatral de uma orquestra. E tudo na simples fração de segundo de um toque. Uma impressão rápida e lenta ao mesmo tempo, como pisar em falso. É isso, ela podia se contradizer e se completar sem necessidade de ensaio, ela é indecifrável, indefinível, e ainda assim clichê. Ela é, assim como a vida, a consequência de um dom que se expressa em cada momento inesquecível. Mistura entre real e irreal, som que se torna tangível, cor que se torna palpável. Ela é a obra de arte mais prodigiosa a ser delicadamente admirada.