Sozinho, percebo o silêncio ao redor. O mundo exterior pode ser desolador e infértil.
Dentro de mim, entretanto, há uma batalha entre opostos, e mesmo paralisado, fujo de explosões sonoras, me escondendo nos destroços das máscaras que criei. Inerte, e ainda assim sentindo o vento cortar meu rosto, a velocidade da queda aumentando a cada respiração. A queda, porém, já se concretizou. Vivo num momento atemporal, e percebo que minhas asas não voam mais. Tão negras quanto a noite, sangram lentamente, feridas negadas, e agora o horizonte é impossível de alcançar.
Ao longe vejo uma borboleta. Ela voa despreocupadamente, dançando entre as cores do poente, e tento tocá-la, mas não consigo. Ela não faz mais parte de mim, e não será minha companheira. Talvez conhecê-la tenha sido meu único presente, tenho que aceitar. O sangue goteja, suja minhas roupas, e a dormência toma conta de minhas veias, o torpor invadindo a consciência, meu placebo, minha morfina, lépida e mortal. Encaro o céu, a borboleta me rodeia, mas nunca se aproxima ao meu toque, como uma espectadora cautelosa, e sorrio ao constatar: inteligente.
Levanto com alguma dificuldade, e caminho entre tropeços. Não posso mais voar, não tenho forças pra correr, mas vou caminhando, passo após passo, em direção ao mar, o corpo dolorido, os pés cansados. A tontura é corriqueira, a névoa que espiro também. O que estou fazendo com a minha vida? Não tenho resposta pra isso, e paro de caminhar quando a chuva começa a cair. Sinto dor, sei que minhas asas, cedo ou tarde, vão se desprender de mim, me abandonar. Sei que sou destrutivo e infeliz, mas não posso conceber a ideia de morrer, embora eu já não queira mais viver.
De alguma forma a borboleta ainda me segue, mas eu continuo a cair, de novo e novamente, e eu sei que estou sozinho. Estou desaparecendo. E sempre estarei sozinho.
12 abril 2017
13 novembro 2016
Plume.
"Why do we give ourselves to other people? Not just for their bodies,
but for everything else, too. Their dreams, their scars, their stories. I
only ever fall in love with the broken, because I am broken, and I know
without that other piece of me, I will never be the person I was
destined to be".
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Oliver Sykes
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Oliver Sykes
Ageless.
Nunca tive
Em nenhum de meus dias
Uma natureza otimista
Não de fato.
Em nenhum de meus dias
Uma natureza otimista
Não de fato.
Nunca acreditei
De forma alguma
Que eu seria algo além
De minha sina.
Transfigurado
Em oceano profundo
Entre criaturas
Me afogo em mim.
E eu não espero
Sobreviver ao peso
Nem mesmo ao fardo
Das pessoas.
Só queria por um dia
Não ver tédio, e tristeza
E esse desinteresse
Em tudo.
De forma alguma
Que eu seria algo além
De minha sina.
Transfigurado
Em oceano profundo
Entre criaturas
Me afogo em mim.
E eu não espero
Sobreviver ao peso
Nem mesmo ao fardo
Das pessoas.
Só queria por um dia
Não ver tédio, e tristeza
E esse desinteresse
Em tudo.
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