05 junho 2011

Not Be, But Be.

O que é isso que está ali?
Não há nada.
Eu nasci nas profundezas, onde a luz não alcança.
Envolto pelas trevas.
Incerto sobre o futuro.
Nascido sob aqueles resíduos negros...
Completamente negros.
Eu possuia um corpo alvo.
Meus companheiros tinham corpos negros.
Esses corpos negros...
Com suas bocas descobertas e olhos reluzentes...
...Sem dúvidas, devoravam algo.
E então...
Em mim, nada havia.
Eu não sentia nada. Não.
Eu fui incapaz de notar que o que eu sentia era "vazio".
Incapaz de ouvir.
Incapaz de comer.
Incapaz de sentir o cheiro.
Incapaz de sentir o toque.
Incapaz de dormir.
Não possuía companheiros.
Apenas... Vagava sozinho.
Não há nada.
O que reflete em meus olhos, não possui significado.
O que não reflete em meus olhos, não existe.
Vagando... Vagando...
Vagando... Vagando...
Vagando... Vagando...
Vagando... Quando dei por mim...
Encontrei algo extraordinário.
Foi de certa forma, o local de nascimento...
...Para estranhos objetos translúcidos que povoavam este mundo.
Foi a primeira vez...
Que algo chamou a atenção dos meus olhos.
Sem cor. Sem som. Sem fragância.
Não interagia com nada. Apenas existia.
Foi a existência mais perto do "vazio" que meus olhos encontraram.
Eu atirei o meu corpo...
...Naquele grande "vazio".
Nada havia ali.
Minha visão se esvaiu, e eu me dissolvi no vazio.
Senti como se tudo houvesse desaparecido.
Felicidade.
Se a felicidade existe neste mundo...
...Então ela deve ser algo que se assemelha ao completo vazio.
O vazio significa não ter nada, e não ter nada a perder.
Se isto não é ser feliz, então o que é?
O que reflete em meus olhos, não possui significado.
O que não reflete em meus olhos, não existe.
Não há nada...
Em você... ...E em mim.

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