02 agosto 2011

Bela Do Anoitecer.

Noite sombria. Tão linda quanto tua pele alva. Noite sombria. Tão fria quanto tua alma.
E ao avistar teu vestido vermelho, tão bem cortado em tuas curvas sensuais, tenho a certeza de que mais letal te tornará em tua vingança. E neste vale de túmulos podres e amaldiçoados caminho, sem traços de dor ou pudor, pois sei que ao final encontrarei a beleza desejada.
Árvores puxam-me aos galhos, e folhas caem lentamente, tal como meu coração vazio e encantado. Tal como teu olhar sedutor e amargurado. Seja minha, bela do anoitecer, seja minha. Sei que aos teus caprichos devo enxergar, e que as tuas armadilhas devo provar, mas ao luar amantes seremos, se assim ordenar. Te vejo ao longe, e o vento traz-me aos dedos teu rosto, resultado de teu sorriso de morte e sortilégio. Meu mais doce privilégio.
O luar predomina no céu estrelado, espelho perfeito de nossa cumplicidade mais áustera.
Oh, bela do anoitecer, encarcera-me no tecido escarlate de tua perdição, e com esta foice a zunir pelo ar de tua história, leva de mim a ibinição. Ascende minha paixão. Acende minha perdição.
Jamais quis outro destino, que não tua aceitação. Deixe-me chorar por ti, pois como as estrelas, és apenas uma luz de brilho póstumo. E de minhas crenças nesta terra árida pela qual meus pés caminham, a de maior fulgor é o meu toque em tua pele. Tão gélida e vítrea. Tão casta e amorosa. Noite sombria. Meu pedido mais singelo. O final que já espero. Jamais revoga teu direito à conquista das horas, pois se fores levarás consigo meu único deleite. O mais bonito enfeite.
A dona do meu perecer. A bela do anoitecer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário