09 outubro 2012

Estranheza.

E quando eu olho você
Vejo apenas uma criança com olhos vermelhos,
Vermelhos como sangue.
Vejo apenas incompreensão, confusão e dor.
Mas também despreparo,
Falta de vivência, de aceitação.
E com olhos enegrecidos eu te vejo.
Eu te vejo erguer a mão
Exibindo o coração como se fosse preciso.
Externando uma dor desnecessária.
Exatamente como uma criança faria,
Ou como um adulto cansado.
E diante de você não sei o que sou
Só sei o que fiz
E o que vou fazer.
E mostro meus dentes amarelos,
Tingidos pelo café de outras insônias,
Pra você ver que não é tão difícil.
Que basta pisar firme no chão e inspirar.
Que é só questão de confiar
De perder aquele medo primitivo que temos,
De tropeçar e ralar as palmas das mãos.
Porque no medo ficamos
E o desespero é que leva à queda.
Mas quando olho você
Eu vejo alguém tão longe,
Tão inalcançável quanto asas de sonhos.
Hora de por as mãos nos bolsos
De virar as costas e caminhar.
Deixando o som dos sapatos ecoando
Quase que eternamente,
Num tipo de vórtice inexplicável.
Mas você ainda exibe o coração irregular...
Por favor, guarde isso.
Mas você não escuta mais minha voz.
Como uma criança levada faria
Ou como um adulto teimoso.

Um comentário:

  1. Interessante ver como você coloca as suas palavras. Foi muito legal poder conversar pessoalmente contigo. Grande abraço.

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