17 novembro 2014

11/11/2014

Quase oito da noite. Acendi um cigarro. O vento já me fazia sentir um pouco de frio, mas eu não queria ir pra casa. Não percebi quando ele chegou e sentou do meu lado.
- E aí, como anda a vida?
- Tudo na mesma.
- Continua na pior?
- Sabe como é, as mesmas dores, mas agora são outros amores.
- Tá gostando de alguém?
Abri outra cerveja, tomei um bom gole e dei uma tragada no cigarro, como que enrolando pra responder.
- Não é bem isso, - falei enquanto soltava a fumaça - eu tô sempre gostando de alguém, mas não é exatamente assim.
- Explica isso direito.
- Lembra daquela guria que eu gostava?
- E como não? Tu ficou quatro anos falando dela pra mim.
- Pois é, desencanei faz um tempo já.
- Porra, isso sim é um acontecimento! Mas o que pegou?
Olhei pro chão e contei sete long necks vazias. Dei um gole e suspirei devagar.
- Não pegou nada, só desencanei.
- E agora tá gostando de quem?
- Não é simples desse jeito.
- Lógico que é, você que complica.
- Eu gosto de alguém, mas ela meio que... não existe.
Acendi outro cigarro e fumei lentamente, deixando o silêncio reflexivo dele sobre o que eu dissera fazer efeito.
- Olha, você vai ter que ser mais claro, porque ou tu tá bêbado ou não sabe mais se expressar.
- Eu tenho um sentimento, mas não há realmente um alvo. Idealizo alguém que não existe, ou até existe, mas você sabe que eu nunca fui muito de procurar.
- "Nunca fui muito de procurar", você pode até enganar algumas pessoas com essa, mas eu não, deixa disso.
Terminei a long neck, acendi outro cigarro.
- Tá, você me conhece, mas tô dizendo, de uns tempos pra cá minhas cartas de amor vem do nada e vão pro nada. É sério.
- Sabe o que eu acho? Que você tá é ficando louco.
- Ué, por quê?
- Pra começar você tá aí sentado bebendo, fumando e falando sozinho mentalmente. Pensa nisso.
Pensei. O filho da puta tinha razão. Dei uma risada que não reconheci como minha e levantei.
- É, tô ficando louco mesmo.
- Beleza, agora que já esclarecemos isso eu vou te dar mais uma charada. Olha esse sentimento teu aí e me diz, quem é a dona do seu amor? Você é homem de quem?
Olhei o celular. Nove da noite. Hora de ir pra casa. Dei a última tragada, joguei a bituca pra longe e saí andando com as mãos nos bolsos.
- Sou homem de ninguém... - Falei em voz alta.

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