16 abril 2021

Por favor e obrigado.

 Um dia relaxante de sol gentil, um daqueles dias tranquilos de uma primavera em que certos pontos da cidade grande reproduzem bem demais a paz interiorana, com brisa leve, calor nostálgico e grama. O verde e marrom das árvores, o cinza do asfalto e todas as outras cores mais vivas simplesmente por existirem, e o sorriso causado por ser um dia comum. Frutas, água fresca, sanduíches, cigarros, cerveja, o que quer que seja de seu gosto com muita leveza, e suas músicas preferidas pra olhar o céu azul salpicado de laranja e branco. Andando calmamente sem propósito, sem pretensão, observando seu redor com o interesse de quem não se interessa por buscar significado no que é ordinário. A despretensão pretenciosa de não precisar olhar a hora, é apenas um dia saboroso pra viver e esquecer de viver. Alguém com a mesma sintonia e melodias de lo-fi ou de piano na fala e no olhar, comer, beber, fumar, andar de bicicleta e respirar, observar água corrente e caminhar sem pressa, sem ter onde chegar, poder ir e voltar, deitar na grama e crer nas fantasias de infância sem as paranóias do que é ser adulto. Fechar os olhos sob o sol e enxergar vermelho sob as pálpebras, deixar o tato e o olfato trazerem sensação, experimentação, esquecer por um momento o peso da  pressão e da depressão, esquecer dos termos técnicos, das pautas políticas e valores étnicos, não racionalizar a emoção da felicidade, serotonina é apenas um dia fresco e morno, nada além da sensação de conforto...

...aqui fechado no meu quarto eu tomo meus remédios caros e sinto muita falta disso, que melancolia, a minha rotina é um desserviço.

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