Durante a manhã fria eu dei passos hesitantes em sua direção. Estendi minha mão e senti as primeiras gotas de chuva, deste sentimento que é estar distante de você. Tudo ao meu redor parecia compreender minha condição, mas as pessoas estavam fora de foco. O calor do meu coração ansioso não era capaz de esquentar o sangue em minhas veias, mas eu dei um passo a frente sem me inportar.
O som do seu riso ecoava em meus ouvidos como a melodia precisa de um piano, e mesmo de olhos fechados eu te enxergava através da solidão. Quando seus dedos tocaram os meus e eu senti suas cores, todas as cores que deram vida ao meu corpo inanimado, percebi como as cordas do destino sempre me levariam até você, verdes e azuis, vermelhas e douradas, gentilmente me puxando, me alinhando ao seu perfume delicado, ao centro de sua existência imaculada.
Meus sentidos misturados me causavam lucidez e emoção, as poças de água aumentavam, mas eu não podia deixar de sorrir, e meus pés gelados me impulsionavam, quase como asas invisíveis, como se através de mundos diferentes, estrelas e galáxias, e mesmo que você não estivesse ao meu lado eu encontraria seus lábios através do que me fazia inteiro, que se separou de mim e se manteve com você.
Durante a manhã fria eu dei passos hesitantes em sua direção, o som da chuva era forte, eu estendi a mão e as gotas de chuva me mostraram que eu sempre estaria com você, e quando estivermos frente a frente outra vez, daremos as mãos e assim vamos ficar.
03 setembro 2021
Querencia.
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