02 fevereiro 2024

Apenas um tropeço caminhante.

Já me senti como um botão de flor prestes a desabrochar. E também como cinzas de um cigarro velho. É sempre uma questão de perspectiva e distanciamento, mas sentir-me escorrendo por meus dedos é no máximo, uma ideia criada por meus próprios pesadelos, tal qual ser a árvore da vida é uma bela noite de sonhos. Tudo ao meu redor me direciona, e o espelho é um reflexo do lago mais profundo que cavei. Tenho muitas dúvidas e poucas respostas, mas talvez a vida, pelo menos a minha vida, se trate disso, passar sofregamente de interrogação para exclamação ou ponto final. Acreditar que o amanhã será, entre melhor ou pior, a vírgula antes do passo, o afago antes do tapa, ou que será o beijo antes do choro, o riso antes do drama. Compreender que sou como sou é minha maior missão jamais delegada aos meus atos. É a síntese de ir além dos meus próprios sentidos por caminhos e meios misteriosos que somente eu serei capaz de elaborar e desvendar. Talvez o coração pulsante seja só um sacolejo dos tropeços nessa estrada que me mantém herói e vilão, que me mantém solução inadequada e soma perfeita, mas acima de tudo, que me mantém honestamente vivo.

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