19 fevereiro 2024
Vulnerabilidade.
Pacificamente eu me desfiz de muitas das minhas barreiras, me despi de meus adornos e me encarei depois de muito tempo. Me senti frágil e machucado, alvejado, com muitos hematomas e feridas. A vida adulta é tão difícil, sabe? Às vezes é só tudo demais e a gente não sabe o que fazer pra seguir em frente sem cometer nenhum erro. Mas dessa vez eu fiquei vulnerável de uma maneira muito serena, e mesmo com receio, virei e deixei que me encarasse e que me avaliasse sem tentar me esconder dentro de minhas próprias profundezas. De alguma forma isso me fez tão mal quanto bem, mas eu resisti e permaneci firme em minhas pernas que pediam tremor. Não cortei o cabelo nem fiz a barba, não havia gravata ou a calça vincada, era apenas... eu. Cabelos brancos, meu tornozelo torcido, as cicatrizes, você percorreu tudo com seu olhar e se aproximou. Eu estremeci levemente e quis me afastar, mas fiquei ali parado. Aguardando um toque tão frio quanto o meu, fechei meus olhos e me senti indefeso, mas quando seus dedos tocaram os meus eu senti calor, morno e confortável como uma tarde de sol ameno, e quando abri meus olhos... você sorriu. Você estava sem seus adornos também, sem suas barreiras e distrações, e você também estava muito machucada e ferida, talvez até mais do que eu. Com uma surpresa incontida eu sorri também, nossos olhos se encontraram e marejaram. De mãos dadas nós choramos e sorrimos juntos. Foi ruim. Mas também foi muito bom. Eu entendi que à partir dali não estava mais sozinho, e você também não.
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