22 novembro 2014

Por Dias Amenos.

Não sou herói de nada
Parei de andar na estrada
Prefiro olhar a vista
É muito mais tranquilo.

Me cansei dos dilemas
Das mesmas desavenças
De toda a insegurança
Do que não tem sentido.

Quero somente minha viola
Aquelas mesmas notas
Um gole da cerveja
A sombra de um abrigo.

Um trago do cigarro
Um dia belo e calmo
E se eu tiver problemas
A mão de um amigo.

17 novembro 2014

11/11/2014

Quase oito da noite. Acendi um cigarro. O vento já me fazia sentir um pouco de frio, mas eu não queria ir pra casa. Não percebi quando ele chegou e sentou do meu lado.
- E aí, como anda a vida?
- Tudo na mesma.
- Continua na pior?
- Sabe como é, as mesmas dores, mas agora são outros amores.
- Tá gostando de alguém?
Abri outra cerveja, tomei um bom gole e dei uma tragada no cigarro, como que enrolando pra responder.
- Não é bem isso, - falei enquanto soltava a fumaça - eu tô sempre gostando de alguém, mas não é exatamente assim.
- Explica isso direito.
- Lembra daquela guria que eu gostava?
- E como não? Tu ficou quatro anos falando dela pra mim.
- Pois é, desencanei faz um tempo já.
- Porra, isso sim é um acontecimento! Mas o que pegou?
Olhei pro chão e contei sete long necks vazias. Dei um gole e suspirei devagar.
- Não pegou nada, só desencanei.
- E agora tá gostando de quem?
- Não é simples desse jeito.
- Lógico que é, você que complica.
- Eu gosto de alguém, mas ela meio que... não existe.
Acendi outro cigarro e fumei lentamente, deixando o silêncio reflexivo dele sobre o que eu dissera fazer efeito.
- Olha, você vai ter que ser mais claro, porque ou tu tá bêbado ou não sabe mais se expressar.
- Eu tenho um sentimento, mas não há realmente um alvo. Idealizo alguém que não existe, ou até existe, mas você sabe que eu nunca fui muito de procurar.
- "Nunca fui muito de procurar", você pode até enganar algumas pessoas com essa, mas eu não, deixa disso.
Terminei a long neck, acendi outro cigarro.
- Tá, você me conhece, mas tô dizendo, de uns tempos pra cá minhas cartas de amor vem do nada e vão pro nada. É sério.
- Sabe o que eu acho? Que você tá é ficando louco.
- Ué, por quê?
- Pra começar você tá aí sentado bebendo, fumando e falando sozinho mentalmente. Pensa nisso.
Pensei. O filho da puta tinha razão. Dei uma risada que não reconheci como minha e levantei.
- É, tô ficando louco mesmo.
- Beleza, agora que já esclarecemos isso eu vou te dar mais uma charada. Olha esse sentimento teu aí e me diz, quem é a dona do seu amor? Você é homem de quem?
Olhei o celular. Nove da noite. Hora de ir pra casa. Dei a última tragada, joguei a bituca pra longe e saí andando com as mãos nos bolsos.
- Sou homem de ninguém... - Falei em voz alta.

18 outubro 2014

Noites Inquietas.

"A Rosa que seduz nem sempre é bela".
Em outra vez tentarei crescer e aceitar que essa frase que eu escrevi aos 16 anos é tão real quanto possível; talvez até mais real do que o possível. Ela se aplica a qualquer tipo de coisa que tem algum tipo de significado nesse mundo. Nada do que nos cerca pertence a nós, e nós não somos especiais. E ainda assim somos donos de tudo, senhores de nossa própria maldição criada pelo querer de algo melhor. Ainda assim somos a individualidade que faz o conjunto ser importante de alguma forma misteriosa e mágica. Destino, caminhos, amores. É inacreditável. É quase inaceitável.
É irônico eu ter escrito uma frase desse tipo aos 16 anos, e não pretendo explicar por quê. Quero que cada um leia isso e imagine que tipo de significado essa frase pode ter ou não pra si. Pode ser uma boa frase, pode ser só um monte de besteira... exatamente como cada um de nós. Numa noite como essa eu só queria a companhia daquela guria de sobrenome alemão, quem sabe com uma dose de uísque ou de café, alguns cigarros e uma conversa sobre tudo que fomos, somos e seremos. Acho que às vezes o que queremos é somente isso: Uma noite com nossos vícios, não importa se bebidas, cigarros, ou pessoas.
"A Rosa que seduz nem sempre é bela".


Ainda assim ela é perfeita.