Naquele dia me lembro de te encontrar quase por acaso, numa dessas coincidências da vida, como um suspiro leve que esvaziava meu peito da respiração pesada. O céu estava num azul pacífico, com nuvens brancas e belas, e o sol era confortável e caloroso como um abraço cuidadoso. A brisa leve cumprimentava meu rosto e minhas mãos enquanto eu caminhava livremente longe de minhas preocupações.
Eu olhava ao redor para toda a sua beleza incalculável, toda a vida que me fazia reanimar, os lagos que pareciam grandes espelhos divinos e a grama curta sob meus pés. Dentro de mim eu era capaz de ouvir cada som do seu movimento, da sua fluidez tão macia quanto a facilidade que era existir ali e contemplar silenciosamente seus detalhes formosos e musicais. Era como ouvir os acordes mais singelos e melodiosos, e ainda assim era como estar em completo silêncio, como estar além da consciência de qualquer coisa que não fosse tranquilidade. Cada caminho, cada toque, cada passo, tudo transbordava amor e compreensão, e entre meus sorrisos e seus pequenos milagres corriqueiros nos fundimos e trocamos os melhores e mais altruistas sentimentos. Nos compreendemos e eu pude sentir que mesmo naquele primeiro encontro eu já te conhecia, e fechando os olhos percebi e te confidenciei... eu te vi nos meus sonhos. E no misto entre sonho e realidade, depois de muito tempo me senti completamente em paz.
10 maio 2023
Uma vez num sonho.
20 abril 2023
Lembrei de você.
19 abril 2023
Miragem.
Eu queria ser um desbravador da vida e da fé
Entre os dias e o verde e o cinza ir aonde quer
E viver num abraço apertado, acho que eu sou assim
Eu não sei o quero dos outros e o que quero de mim
O contraste entre o vento e o sol, um passeio de trem
A malícia e a delicadeza dos outros também
Entender toda a brutalidade do que vem me ferir
E a beleza do amor que nos toques se fazem sentir
Ser aquele que vive pra sempre do que der e vier
Compreender o anseio do homem e o calor da mulher
Declamar os mistérios da morte por ser de onde vim
E num verso explicar a beleza do que é ter um fim
No marasmo dos dias cantar, dizer que tudo bem
Ser o encantador do terreno e o que vem do além
Mas de frente ao espelho eu entendo, serei sempre assim
Sem saber o que quero dos outros e o que quero de mim