20 abril 2023
Lembrei de você.
Vi algumas flores ontem e lembrei de você. Ouvi uma música hoje e lembrei de você. Acho curioso que mesmo não te vendo nem convivendo com a frequência que eu gostaria, não tenho dificuldade em lembrar de você, e talvez o mais interessante nisso é que nem tudo que me lembra você tem necessariamente a ver com você. Não é como se cada vez que eu pensasse ou lembrasse de você fosse por algo que é inerente a você, ou uma lembrança física de um dia guardado em minha memória. Esses, claro, existem, e são variados, mas também te vejo no céu e na forma das nuvens, te sinto num gole de cerveja mas também no prato de um restaurante que fui pela primeira vez. Recordo teu cheiro em perfumes mas também te sinto em incensos e no cheiro de chuva e terra molhada. Não preciso de muito estímulo pra imprimir seus detalhes novamente no filme da fotografia analógica que é você. Te vejo no meu violão, nos refrões, nas pessoas que passam por mim, no vermelho alaranjado do sol e dos cabelos, nos sorrisos alheios, nos reflexos e nos abraços, nos gritos de dor e também de paixão. Te percebo na poesia lúdica, pois poucas coisas são mais reais do que as linhas irreais inventadas por quem provou da realidade. No fim das contas, no fim do dia, lembro de você tão espontâneamente que preciso anotar pra eu não esquecer de outras coisas, mas sei que de ti nunca vou me esquecer. Sei disso pois é bonito e fácil, e a razão é que você está em todo lugar. É como se o mundo fosse seu pois é igual a você: completo, e não perfeito.
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