13 abril 2023

Flores artificiais.

Ouço o som da natureza controlada ao meu redor todos os dias, o canto despreocupado dos pássaros, o farfalhar das folhas ao vento, a chuva cadenciada molhando a terra. Observo as árvores, os animais despreocupados, as curvas delicadas que as borboletas desenham no ar durante a tarde ensolarada, vejo a vegetação, as frutas e as flores seguindo seu próprio calendário.
É quase inevitável pensar no tempo, no amadurecimento, no desabrochar e na conclusão de cada aspecto que esses detalhes trazem ao meu conhecimento e aos meus sentidos. De certa forma acho que nunca vou ter o pleno conhecimento de quando estarei no meu ápice ou de quando já estarei em declínio. Invejo a natureza e os diretamente regidos por seus elementos, pois são conhecedores do que são e de onde estão justamente por não questionarem as vertentes desse pensamento, nem mesmo inconscientemente.
Ao não intelectuarizarem, deixam de estar em estados reais e também imaginários, mas se tornam, de maneira pura e fidedigna. São, e por tão fervorosamente serem, possuem a leveza natural do que não precisa de razão para ocorrer. Eu, por outro lado, me distancio tanto disso que me transformo, me moldo, metamorfoseio incessantemente de maneiras não orgânicas, mas não consigo evitar de sangrar ao reabrir feridas. Estou tão avançado e distante de tudo isso e ainda assim sou inferior e pequeno. Por trás dos meus óculos e de todas as telas frias e estáticas eu sorrio e percebo: nunca terei a dádiva de crescer, desabrochar e morrer. Na verdade, acho que talvez eu nunca desabroche, e por crer estar no meio, talvez essa seja a percepção que mais me incomode.

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