Manhã. Levanto da cama esfregando o rosto preguiçosamente. Banho. Escovar os dentes. Café. Visto um jeans, uma blusa e um cachecol. Ligo o som. Saio à sacada. A caneca fumegante afasta o frio que a neve parisiense traz. La Ballade De Neus toca distraidamente para as paredes antigas. Linda música. Bebo um gole do café. Olho a rua. Movimento menos intenso hoje. Adoro manhãs de sábado, não há pressa ou contratempos aparentes. Continuo olhando para as pessoas caminhando nas calçadas. Estou realmente velho, já vivo de rituais matutinos. A música muda. Munivers De Paris. Bela também. Vejo todos aqueles rostos diferentes, aqueles seres pensantes caminhando suas rotinas. Para onde deverão estar indo? O que será que irão fazer? É interessante pensar histórias para elas, imaginar quem são, o que as motiva, suas qualidades e defeitos. Todas essas pessoas e tão pouco a se dizer sobre elas. Tudo que tenho é minha própria imaginação e minhas indagações corriqueiras.
Outra música. L'air Des Cendres. Sombria, porém bela. O som melodioso me faz questionar coisas que eu não deveria. E é inevitável concluir que todos são melhores do que eu. Estão vivendo suas vidas quando tudo que faço é olhar seus costumes da sacada, dia após dia, enquanto definho vagarosamente sob a visão do céu cálido e despretencioso. Bem, é o curso natural das coisas. O velho dando lugar ao novo. Ainda assim minha mente questiona porque não estou lá embaixo, fazendo algo útil de meu tempo restante. Não sei dizer. Mas é difícil aceitar que estou morrendo lentamente enquanto não faço absolutamente nada para mudar isso. Bem, que posso dizer? Sou apenas um velho de alma perdida e mente aguçada. O que mais me resta? Que mais se não observar meus heróis anôminos sob a neve parisiense? Assim é a vida.
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