07 outubro 2011

Momentos.

Eu vejo as fotos no Facebook, com seus ângulos nostálgicos e poses espontâneamente decoradas. É estranho. Ele não é do tipo que gosta dessas coisas. Não é do seu feitio. Ainda assim ele posa nas fotos descontraidamente, e faz carinho em sua companheira de foto, embora diga odiar aquilo. Tenho que sorrir porque sei que no fundo ele gosta de toda essa interação. Mas é deveras perturbador ver que nunca tive coisas como essa. Em parte por culpa minha, é verdade, entretanto isso me faz pensar em quantos momentos desperdicei com coisas sem importância. Salvo um único dia, jamais tive momento de tal intimidade.
O mais interessante sobre isso é que embora eu tenha tido relacionamentos mais duradouros que o dele até o momento, nunca cogitei a possibilidade de algo tão simples e tão inspirador como uma foto. Não gosto de fotos. Não sou fotogênico. Tenho algum tipo de aversão inexplicável à lembranças físicas. Mas neste momento eu me pergunto, não é disso que um relacionamento é feito? Momentos de apenas sensações, é claro, mas não há também momentos de lembranças físicas? De memórias tangíveis? Se isso não existe entre duas pessoas que se compartilham, então o que existe? Não sei, mas me considero um tolo por não ter tentado descobrir.
De qualquer forma no momento estou sozinho, entretanto estou apaixonado. Isso é quase um paradoxo. E ao passo que vejo a felicidade dele com ela em suas fotos, eu sinto saudade de momentos simples que não cheguei a ter. É engraçado como a concepção de certas coisas mudam com o passar do tempo. Preciso sorrir quando penso em tudo isso. Mas também não posso deixar de ficar triste. Realmente... É quase um paradoxo.

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