29 agosto 2014
Ah, Winslet...
E eu que nunca fui de decorar o nome das pessoas
decorei até o número do teu apartamento, Winslet. Eu que sempre fui o
tipo que foge do estilo garota encrenca fiquei e te encarei com esse
sorriso de um babaca bêbado. Você sempre foi o tipo de garota que lia Bukowski e ria. Ria porque se identificava. E aí eu me perguntava
quem teria coragem de te largar de lado com esse teu All Star surrado e
esse teu sorriso de quem odeia domingos. Eu decorei até o seu cheiro, Winslet. Esse teu cheiro de menininha cheia de sonhos que usa calcinha de
renda. Eu decorei todos os teus lados, porque eu me perdia em você e nas
suas fases. E você que odiava dramas se aconchegou em mim. Você que
odiava enigmas topou em tentar me desvendar. O nosso caso nunca fez o
estilo amor e flores, Winslet. O nosso caso fazia o estilo gritos e objetos
jogados na parede, ao menos internamente. O nosso caso nunca foi matemática, onde se somava e
se dividia. O nosso caso era química, Winslet. Uma constante irradiação de
fúria e desejo. E aí você cantava pra todos os seus vizinhos ouvirem que
não sabia como amar, e que não amava porque doía. Você sempre foi mais
razão que coração. Nesses teus passos tortos de quem não ligava se
sentia. E não ligava mesmo. Quando você sorriu pra mim naquela maldita
livraria eu devia ter fugido, ter ido pro outro lado, devia ter fingido
que não tinha visto. Mas eu encarei esse teu sorriso de quem odeia
domingos. Eu encarei o pacote de encrencas que era você. E olha pra mim agora, eu sei até o número do seu apartamento.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário