15 janeiro 2021

Do dia 1 ao dia 15.

A identidade que eu tinha de mim não existe mais.
Faz tempo eu penso na solidão de um coração, que pela pura sobrevivência, preto no branco, regra por regra, pode bater apenas dentro de um único peito. Ciência, não lirismo. Um cérebro habita um crânio de um único corpo. O meu barulho, querendo ou não, é só meu. O seu é apenas seu. Pensando nisso eu percebi que só eu me conheço, mas olhando no espelho eu não me reconheço, as rugas já são novas, algumas das cicatrizes nem me lembro mais aonde consegui.
O amor é invertido, pois na intenção de externar eu entendi que preciso primeiro internalizar. Mas eu sei o que é amar? Não ao próximo, pois deitar sobre espinhos para outro não furar as solas dos pés é natural quando há lealdade e comprometimento, o sacrifício torna-se até mesmo poético, encorajador, mas fazer o mesmo por mim é, certas vezes, praticamente impensável. Eu sou quem me coloca em guerra com meus próprios trejeitos, e minha consciência me afoga no lago que habita em mim. Talvez por isso eu tento gritar mas minha cabeça está sempre submersa, embaixo d'água, e eu me afogo pra acordar de um pesadelo, cheio de suor e tremores.
À partir do momento que percebi isso, eu vi o quanto mudei e o quanto também permaneço igual, o quanto é inegável a sentença do imutável querer por mudança, e assim sendo, me perguntei: quem sou eu? Juro que nunca soube mais dizer, e com resignação mas alguma alegria, entendi e terminei minha reflexão do jeito que iniciei... com a constatação de que a identidade que eu tinha em mim não existe mais. Quando eu grito isso, não faz barulho, mas o silêncio é ensurdecedor. Pensa nisso, porque eu penso.

De mim para eu mesmo.

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