26 julho 2024

Sessão gritos inaudíveis #09

Às vezes eu me pergunto se nos meus terrores noturnos eu vejo realmente coisas que não existem. Conheço a sensação. Não conseguir se mexer, a pressão imensa no peito, como um peso enorme que me impede de respirar, o sufocar da própria voz, as dores pelo corpo, a rigidez, nos piores casos a náusea e o pânico fora de controle. Meus olhos sempre estão vidrados em algo, e é quando vejo meus pesadelos, cenários de inferno inacabável, preto e vermelho como chamas, sombras e sangue, seres antropomórficos, deformados, lacerados, demoníacos e bestiais que me assombram e sorriem de maneira desvairada. Olhos gigantes que sangram, amputações putrefadas, garras que me perseguem e bestas que querem tirar minha vida da maneira mais sanguinolenta possível. Passo por isso há mais tempo do que consigo me lembrar com exatidão, de certa forma até aprendi a lidar um pouco melhor, mas... será que meus terrores noturnos realmente não existem? Não me entenda mal, eu sei o que acontece comigo, digo, cientificamente falando. Mas e se... e se eles forem reais? De onde surgiram? Como criei cada um deles? Às vezes eu tenho esse medo. E se no fundo eu sou cada um deles por dentro? E se eles vieram de dentro de mim? Surgindo pra de alguma forma me dizer que eu os vejo e os temo e que eles me aterrorizam porque são a parte real mais íntima das entranhas do meu desespero e da minha falência existencial. Às vezes tenho medo que seja isso. É um pensamento, no mínimo, inquietante.

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