01 outubro 2014

(1)

De uns tempos pra cá posso dizer que algumas coisas mudaram. Ao meu redor e dentro de mim. Finalmente ocorreu o que estava se anunciando, e eu, de certa forma posso me dizer vencedor, muito embora não tenha realmente vencido algo. Digo isso porque neste caso não se trata somente de vitória e derrota, pois ainda haverão muitas vertentes a serem vistas e questionadas no labirinto intangível do meu pensamento. Jamais foi culpa dela, longe disso, mas foram alguns anos preso em uma miragem, quatro anos perseguindo uma visão imaginária, a visão de uma perfeição existente apenas em minha mente e alimentada somente por meu coração. O baque (porque sempre é preciso um baque) aconteceu num momento absolutamente propício, e pela primeira vez não doeu. Inclusive, tenho que dizer, é estranha a sensação de olhar pra ela e não sentir aquela dor característica do amor não correspondido, mas é interessante finalmente deixá-la ir após tantos anos. Pela primeira vez desde que a conheço posso dizer: ela nunca mereceu o que senti. Não digo isso com rancor ou soberba, mas como um fato, assim como as horas, o dia e a noite, a existência do ar que respiramos, assim como eu já devo ter sido indigno de sentimentos demonstrados ou escondidos. Enfim, finalmente posso olhar seu rosto sentir apenas amizade. Não, eu não encontrei um novo amor, ainda estou muito longe disso, e com certeza ainda haverão noites de lembranças e solidão, porque essas nunca findam, só redirecionam o alvo, mas ainda assim sinto-me no direito de imitar Tom Hansen e decretar: (1).

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