07 outubro 2014

Iserhard.

Mais uma madrugada insone, do que tipo que me faz sentir saudade daquele irmão de tantos anos. Aquele que eu conheci na fase em que geralmente se formam as verdadeiras amizades: na infância. Não é uma regra, mas na maioria das vezes é ali, naquela época de pureza e inocência que conhecemos aquela pessoa que nos acompanhará em qualquer fase da vida. E foi ali que eu conheci Iserhard, o meu amigo, o irmão que eu escolhi pra ter. Passamos pelas mesmas dificuldades, pelas mesmas fases. Por diversas vezes já tive que tirá-lo da beira do penhasco, e ele já precisou intervir por mim em outras tantas... Passaram os anos, ficaram algumas cicatrizes, algumas na pele, outras na alma, mas sempre irá ser a nossa amizade o fator predominante. Hoje ele está distante, apreciando o ar e a vida de outra cidade, buscando seu sonho profissional ao lado da mulher que ama, e eu estou muito feliz por ele, mas em madrugadas como a de hoje somente ele seria capaz de compreender o que sinto. Sei exatamente o que ele faria. Ele não tentaria me animar, isso ele não faria jamais, porque ele sabe que preciso apreciar minha melancolia para então conseguir afugentá-la, mas sentaria do meu lado pra compartilharmos nossas frustrações, provavelmente ao som de um jazz suave.
Ainda lembro das tantas noites que viramos naquele café 24 horas, lendo, ouvindo boa música, conversando e apreciando um bom café. Era como espairecer do mundo pelo ato de lamentar, num tipo de ligação invisível que sempre me fazia ter a convicção do porque sempre seremos irmãos.


De todos, esse é o cenário que mais sinto falta.
Principalmente hoje.

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