11 novembro 2024

XXXIV.

34 anos. Eu tenho 34 anos de vida. Isso é assustador de certa forma, quando eu tinha 15 anos parecia que eu nem chegaria nessa idade, era algo tão impossível, tão distante. Parece clichê, mas realmente, passou quase num piscar de olhos. De repente estou aqui, 34 anos, um rascunho mal acabado do que achava que seria, já bastante sulcado de experiências, dias, vícios e sorrisos, e mesmo assim sem ter a mínima ideia do que serei lá na frente. Lembro que certa vez escrevi que não imaginava que cresceria e me tornaria um adulto triste. Era verdade. Dessa vez, entretanto, o que me surpreende é a relação em si tão particularmente ruim que tive e ainda tenho com o período dos 30. Coincidiu com a pandemia, e ambos me quebraram profundamente, me mudaram drasticamente em vários aspectos e percepções. Nem mesmo meu paladar é igual ao que era, nunca mais fui o mesmo. Parece que fiquei muito mais velho, cansado, medroso, insensível e solitário dos 30 pra cá, tudo que tenho certeza é que essa data mexe comigo de uma maneira ruim. A impressão que eu tenho é que ela vem cheia de peso, um peso totalmente desproporcional que me oprime, que me espreme e me sufoca, um tipo de corrida que nunca serei capaz de vencer, mas que tenho de correr pra não morrer. A realidade é que sei lidar cada vez menos com meu envelhecimento. Um pouco pela percepção das rugas, da ressaca mais longa, do fôlego mais curto, mas também por conta do fato de perceber com mais clareza minha mazelas existenciais, meu lugar tão impreciso nesse mundo cada vez mais feio e esquisito que vivo. Já não sei se valorizo algumas das minhas conquistas, mesmo tentando pensar positivo. Talvez seja por isso que a cada ano nessa data eu me isole de maneira mais profunda, e sinta cada vez menos vontade de ver outras pessoas. A passagem do tempo em mim me deprime. É normal, mas me deprime, e eu queria ter a capacidade de simplesmente sorrir e não pensar nisso tudo. Mas esse sou eu, desse jeito, e pensar nisso tudo é um dos meus defeitos. Seja lá como for, pra onde for, do jeito que for, uma coisa permanecerá sempiterna no alicerce da minha construção defeituosa, no âmago prejudicado do meu parco coração: existir é e sempre será exaustivo.

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